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domingo, 10 de julho de 2016

Era para ser apenas um jogo de futebol...

     Quarta-feira acordei às 05h30 da manhã. Tomei banho, engoli alguma coisa como café da manhã e fui trabalhar. No pensamento havia uma doce ansiedade para ver meu amor entrar  em campo. Sei que não deveria gostar tanto do São Paulo como eu gosto, mas não tem jeito. Considero o Tricolor "a coisa mais importante dentre as menos importantes da minha vida." (frase do Milton Neves).
     Trabalhei o dia inteiro pensando no jogo e em toda a emoção que eu viveria. Mesmo quando o São Paulo perde, o fato de ir ao estádio já é um motivo para uma boa história pra contar.
     Já passava das 18h quando consegui sair do trabalho, pois este dia eu havia começado a trabalhar às 08h da manhã. Depois de dez horas trabalhadas, passei no Shopping para forrar o estômago e não encontrei dificuldades para chegar ao Morumbi. A história do jogo, a expulsão do Maicon e os dois gols do Nacional ficaram em segundo plano por conta da imbecilidade de alguns que se acham torcedores do São Paulo.
     Quando pequena queria ser da Torcida Independente. Eu escrevia no caderno da escola, na agenda e em qualquer lugar o dizeres: "INDEPENDENTE". Em 1994 quando o Tricolor perdeu a Libertadores, ao ver aquela torcida com gorros brancos cabisbaixos, eu chorei! Apesar da Torcida Independente dizer que não são culpados, os " torcedores " estavam com a roupa deles. É não foi ninguém que me contou. Eu vi!
     E quarta-feira pessoas com as vestes da Independente me fizeram chorar, mas desta vez não foi de emoção, mas de raiva e de medo.
     Assisti ao jogo na arquibancada amarela. Quem conhece o Morumbi sabe que para chegar lá tem de se andar um bocado. Como já disse não tive problema algum em chegar até dentro do estádio, mas na hora de sair...
     O jogo acabou e a raiva do São Paulo não ter vencido se misturou com o meu cansaço. Fiquei com um humor péssimo. Como sempre faço, estava com o celular ligado na Rádio Bandeirantes. Aguardava o que o Maicon e Bauza iriam dizer, mas aí o repórter informou que havia um confronto entre a Polícia e a torcida organizada do São Paulo. Disse ao meu marido para esperarmos dentro do Estádio até tudo se acalmar, mas homem é cabeçudo e nunca vai dar o braço a torcer para a opinião de uma mulher...
     Mesmo ouvindo barulho de bombas de efeito moral, caminhamos devagarinho junto com a multidão de torcedores, na esperança de quando chegássemos a Praça Roberto Gomes de Pedrosa tudo já tivesse se acalmado. Infelizmente, não foi assim! O que eu vi foi os policiais do choque com escudos tentando se proteger de uma chuva de garrafas de vidro, paus e pedras. Passei correndo com os braços erguidos e quando estava próximo a bilheteria senti um alívio que durou até eu chegar em frente ao Hospital Israelita Albert Einstein. Ali me senti em uma prisão quando acontece rebelião.
     Havia um grupo de torcedores que fazia um cordão humano. Armados com pedaços de pau, eles não deixavam os torcedores comuns subirem para a AV Morumbi e como bandidos chamavam a policia para o "pau". Todos os os torcedores ficaram abismados com o que viam! Ninguém acreditava!
     Bem em frente ao Einstein há uma rua, tentamos passar por lá, porém o clima lá estava ainda mais tenso. Um monte de carros depedrados e torcedores revoltados. Um torcedor comum tentou entrar em seu carro para ir embora e tomou uma paulada nas costas. Isso já era 0h30...
    Fiquei desesperada pela terceira vez! Por fim a polícia conseguiu dispersar os " torcedores ". Eu e meu marido saímos correndo e graças a Deus não nos aconteceu nada.
     Enquanto esperava o "Uber" chegar, chorei mais uma vez. Nunca pensei que teria medo de pessoas vestidas com as cores do meu time. Isso porque já fui ao estádio em clássicos contra Corinthians, Palmeiras e Santos. Aliás, tem 16 anos que vou ao estádio e nunca havia ficado em meio "ao fogo cruzado".
     É porque eu amo demais o São Paulo, senão nunca mais colocaria os pés no Morumbi. Meus pais e outras pessoas me aconselharam a não ir mais ao estádio, mas fui enfática ao dizer que bandidos não podem me impedir de acompanhar o meu Tricolor. Eu que realmente amo este clube, que trabalho para pagar meu sócio-torcedor e comprar meu ingresso não posso ser refém de alguns que ao invés de saírem de casa com o pensamento de torcer pelo São Paulo já saem querendo bater, brigar e ser um grande e perfeito idiota!
     Enquanto eu escrevia este texto o São Paulo Futebol Clube emitiu uma nota para informar o rompimento com as Organizadas. Assim,  os benefícios de ingresso de graça chegaram ao fim. Quem sabe assim o verdadeiro torcedor não volte? As crianças, mulheres e idosos poderão ir tranquilamente ver os jogos do Tricolor.
      Penso que as Organizadas, se realmente querem apenas torcer, devem fazer uma limpa em seus sócios! O cadastro tem de ser rigoroso! Sem isso, não há nem como começar a conversar sobre retorno, entrada de bandeirões, bateria...
     Domingo, na partida entre São Paulo X América-MG, houve um público de pouco mais de oito mil pessoas no Morumbi. Os incentivadores a violência disseram que se antes o Tricolor não enchia estádio, sem as Organizadas vai ser pior ainda. De verdade, eu prefiro um estádio com apenas oito mil torcedores a milhares de bandidos.
     Paz nos estádios é o que eu quero!
    

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